Entrevista : Chantal Briet

, par Chantal Briet

“Alimentação geral” acaba de estrear na França, onde coleciona elogios, chegando a ser considerado o destaque do mês por revistas de cinema. Segundo as críticas, o que torna o filme tão especial é a maneira como a diretora Chantal Briet conta a história de Ali, o dono de uma mercearia em Epinay-sur-Seine, subúrbio pobre de Paris.

O local acaba se tornando o ponto de encontro dos moradores do subúrbio, que aproveitam para beber um café, ler jornais e conversar sobre diversos assuntos. Em meio a uma cidade construída sem sonhos, como ela considera nesta entrevista, Chantal encontrou um local em que o utópico torna-se real.

“Alimentação geral” é o filme da sessão de abertura da mostra Social em Movimentos, no dia 20, no Cinemaison, do Teatro da Maison de France (Rio de Janeiro). Confira aqui a programação completa da mostra.

- Qual foi sua fonte de inspiração para fazer “Alimentação geral” ?

A primeira idéia do filme, a raiz do filme está ligada a uma palavra : utopia. No início, partimos de uma reflexão proposta pelo teatro de Epinay-sur-Seine : ainda existe nesta cidade no subúrbio de Paris, energia e comportamento que podem ser utópicos ? Em sua definição, utopia é aquilo que não existe, o lugar não-existente, e é paradoxal trabalhar sobre esse tema numa cidade que foi construída à toa, sem nenhum sonho e que não deveria existir em lugar algum, enfim, esta é minha opinião. São necessárias cidades verdadeiras e não aglomerações à margem. Como Dom Quixote, eu fui à procura da utopia e, na minha volta, trouxe na bagagem diversos encontros com pessoas de todas as condições, mais ou menos iluminadas, apaixonadas por esse sonho, que ainda acreditam nele ou que sonham com ele ou que o colocam em prática... Em seguida, fiquei em contato com Ali porque senti que sua mercearia poderia ser um local maravilhoso para se fazer um filme.

A utopia é também “um país imaginário onde o governo ideal trabalha para um povo feliz”. E eu encontrei no meio desde “não-lugar”, que é a cidade de Source à Epinay, uma pequena loja que funcionava como este país imaginário, como um modelo ideal de sociedade, um microcosmo exemplar : sejam velhos ou novos, ricos ou pobres ou de qualquer uma das diversas nacionalidades daquela cidade, todos podem ter seu lugar nessa mercearia para comprar ou conversar ou tomar o café da manhã, ou ler o jornal. Aí está o local que eu queria filmar. Mesmo se é precário, efêmero e nem sempre tão ideal, na realidade...

- Foi fácil ou teve muitos desafios durante as filmagens ?

Foram difíceis... Mas humanamente enriquecedoras. Eu fiquei quase cinco anos naqueles locais...

- Como foi a recepção por parte da crítica e do público ?

Excelente ! Vocês podem ver em nosso site alimentationgenerale-lefilm.com todas as críticas e artigos sobre o filme :

TELERAMA - “da delicadeza dessa emocionante galeria de perfis, manifestam-se o mal-estar social, o escândalo da indiferença do Estado, a miséria de um bairro deixado à própria sorte”.

LES INROCKUPTIBLES - “O filme contém a quintessência do que nós sempre procuramos, forçando a mão, em Mocky, Jerôme Deschamps ou Scola”.

LE NOUVEL OBSERVATEUR - “Em seu primeiro longa-metragem, Chantal Briet nos traz um filme sobre coisas belas, mostra o cotidiano anódino dessas vidas consideradas tediosas, mas com um olhar tão próximo que a gente se emociona com o nada (trivial, comum) que movimenta o local”.

L’HUMANITÉ - “Chantal Briet deixou sua câmera ao longo de um mês em Epinay-sur-Seine. Como um Dom Quixote à procura de uma utopia, ela encontrou um microcosmo inesperado e, simplesmente, filmou a existência humana.

CINÉ LIVE (***) - “É por isso que este documentário é o destaque do mês : feito sem cinismo, falso pudor ou demagogia populista. Apenas um filme sobre homens que viviam em qualquer lugar no início dos anos 2000.”

- Quais são seus projetos futuros ?

Eu me tornei cineasta quando estava fazendo estudos literários, só depois fiz escola de cinema. Meu primeiro filme é de 1987, um curta-metragem chamado “Inch’Allah”. Eu filmei em Roubaix, minha cidade natal, em plena crise econômica provocada pelo fechamento das indústrias têxteis. Eu conto a história de um irmão mais velho que percorre a cidade a procura do caçula, Antar, para levá-lo à escola. Eu gostaria de voltar à Roubaix para ver o que os adolescentes e as crianças filmados em 1987, chamados de “geração perdida”, tornaram-se.


Entrevista conduzida por Gustavo Carvalho - Outubro 2006


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